PAVIMENTADORAS: DEMANDAS CERTEIRAS DE APLICAÇÃO


Boletim Técnico nº 04/2021 – 02/12/2021

PAVIMENTADORAS: DEMANDAS CERTEIRAS DE APLICAÇÃO


ESTABILIDADE E FORÇA DE TRAÇÃO SÃO MAIS FAVORECIDAS EM PAVIMENTADORAS DE ESTEIRAS,
ENQUANTO MODELOS DE PNEUS SE DESTACAM PELA MOBILIDADE E RAPIDEZ NO DESLOCAMENTO
Por Santelmo Camilo

Também conhecidas como pavimentadoras de as­falto, as vibroacabadoras exercem um papel es­sencial na aplicação, nivelamento e pré-compactação do asfalto em obras de pavimentação. Até aí, sem novidades.

Mas quando o empreiteiro se depara com algumas diferenças técnicas entre esses equipamentos – principalmente em relação ao sis­tema de rolagem de alguns mode­los mais recentes –, é preciso com­preender melhor as configurações, de modo a garantir a utilização do equipamento certo e, consequen­temente, obter o melhor desempe­nho na obra. É esse exercício que faremos nesta reportagem.

De saída, é importante estabe­lecer as diferenças técnicas entre as vibroacabadoras sobre estei­ras e suas similares de pneus.

Enquanto a segunda utiliza o giro dos pneus dianteiros como prin­cipal orientação para o sistema de direção, o modelo sobre estei­ras usa a velocidade de cada mo­tor de tração. “Quando falamos da pavimentadora com esteiras, precisamos considerar que a área de contato com o solo é muito maior do que com pneus, o que faz com que haja maior estabili­dade e poder de tração”, explica Adriano da Rosa, especialista de produto e aplicação da Ciber.

Por outro lado, a vibroacabadora de pneus atinge uma velocidade de deslocamento maior que a de estei­ras. Isso não significa que os mode­los de esteiras não tenham facilidade no deslocamento e outros atrativos.

Segundo Edson Bezerra, gerente de vendas da Bomag Marini Latim América, as vibroacabadoras de esteiras – principalmente quando revestidas com sapatas trapezoidais de borra­cha maciça – possuem alta durabi­lidade, além de contarem com raio de giro sobre o próprio eixo e trans­missão hidrostática de alta eficiên­cia, o que garante maior suavidade na pavimentação. “Dependendo do projeto, os modelos de pneus podem ter estabilidade até maior durante a aplicação”, aprofunda o especialista.

“No caso específico dos equipamen­tos da Bomag, isso é feito com a dis­tribuição da carga em três eixos 6×2, com o volante no painel de operação agregando precisão às manobras.”


ROLAGEM

Para Paulo Roese, gerente de pavi­mentação da Caterpillar para Brasil, Paraguai e Uruguai, as pavimenta­doras com rodas de fato têm mais mobilidade. Como se movimentam mais rapidamente, é mais fácil fazê­-las percorrer curtas distâncias, uma vez que não precisam ser carregadas em um caminhão. “Em contraparti­da, as pavimentadoras de esteiras são mais estáveis, têm mais tração e seu peso é distribuído por uma área maior, proporcionando mais flutua­ção”, compara Roese.

Atenta à questão, a fabricante de­senvolveu o sistema Mobil-Trac (que integra o portfólio da linha Mobile Track Solutions – MTS) para mode­los de esteiras de borracha, buscan­do proporcionar melhor manobrabi­lidade, velocidade de deslocamento e se equiparar à tração das esteiras de aço convencionais.

Contudo, observa Roese, para se fazer o dimensionamento correto – e definir o modelo o mais indicado para determinada obra – é necessário ain­da levantar inúmeras questões. De acordo com ele, para descobrir qual tipo de material rodante vai atender aos projetos com mais eficiência, é necessário antes indagar: se a máqui­na vai trabalhar em espaço urbano; se trabalhará sempre com base solta ou em situação de baixa tração; se espalhará muita base de agregados; qual é a frequência de transporte da máquina em curtas distâncias (de 2 a 5 km) e a rotina de tapa-buracos; se fará obras de elevação em curvas sinuosas; se a irregularidade longitu­dinal (de acordo com o International Roughness Index – IRI) é pouco rele­vante; e, por fim, se há grandes lar­guras de pavimentação e camadas de pavimentação espessas.

Vibroacabadoras de rodas são mais ágeis e recomendadas para trabalhos de manutenção


COMPARATIVO

Devido à mobilidade e maior velo­cidade de deslocamento, as pavimen­tadoras de rodas são frequentemente recomendadas para trabalhos de ma­nutenção, nos quais se encarregam de sobreposições ou pavimentação de superfícies fresadas, em que a má­quina precisa se deslocar de uma área para outra com rapidez. “As pavimen­tadoras de rodas possuem excelente velocidade de transporte, são total­mente manobráveis, requerem raio de giro reduzido e têm tração em todas as rodas, para um maior desempenho e força de tração”, comenta Roese. “Já as pavimentadoras de esteiras, equi­padas com o sistema Mobil-Trac, por exemplo, são mais duráveis e versá­teis, com excelente desempenho em todas as aplicações.”

Como dificilmente deixa marcas no pavimento, a vibroacabadora de pneus é mais indicada para trabalhos em obras urbanas, onde há menos espaço para manobras ou necessida­de de deslocamentos sobre um pavi­mento já existente. Por sua vez, com alto poder de tração e estabilidade, a vibroacabadora sobre esteiras leva vantagem quando a aplicação ocorre em grandes larguras ou bases.

De acordo com a fabricante, esse equipamento tem boa tração para empurrar caminhões, pavimentar áreas mais largas (como rodovias e aeroportos) e operar em terrenos íngremes e sinuosos. Geralmente, esses modelos são recomendados ainda para pavimentação de novas estradas e recapeamentos.

Outra aplicação comum para pavi­mentadoras de esteiras é colocar a base de agregados. Nesse caso, como o peso da máquina é mais bem-distri­buído, proporciona-se maior flutua­ção e, com isso, evita-se o risco de da­nificar a base. “No entanto, uma das desvantagens das esteiras de aço é a velocidade máxima de deslocamento, de apenas 4,5 km/h”, explica Roese.

“Já as pavimentadoras equipadas com o sistema Mobil-Trac podem atingir até 14,5 km/h de velocidade máxima de deslocamento, o que se assemelha às pavimentadoras de rodas.”

Mais comuns no país, as pavimentadoras de esteiras têm maior flutuação e estabilidade


APLICAÇÃO

Segundo Rosa, da Ciber, antes de optar por um desses dois sistemas de tração é preciso se aprofundar em de­talhes nas necessidades já elencadas acima: largura, espessura e tipo de material aplicado. São essas variáveis que definirão a melhor escolha.

No geral, diz ele, quanto maior for a exigência da operação, mais propícia é a utilização da esteira. “No entanto, é preciso saber onde será o local da aplicação e em que tipo de terreno a máquina irá trabalhar, pois quanto mais restrito for o espaço e mais vul­nerável for a área onde a pavimenta­dora terá de se deslocar, mais indica­do é o uso da máquina sobre pneus”, ilustra. “Já se a base onde o material for aplicado não tiver uma boa esta­bilidade, o modelo sobre esteiras é a melhor opção.”

Como se notabilizam pela tração e estabilidade, as vibroacabadoras de esteiras mostram-se adequadas para pavimentação em aclives e aplicação de camadas granulares de base. No Brasil, predomina o uso desse mode­lo, provavelmente em decorrência da maior versatilidade de aplicação.

Essa preferência provém da década passada, quando houve um incremen­to acentuado de obras de grande por­te, como construção de aeroportos e recuperação de rodovias federais, com a utilização de vibroacabadoras para a pavimentação das bases. Atualmente, devido ao crescente foco dos governos municipais em pavimentação urbana, a tendência é que ocorra um maior equilí­brio na aplicação de ambos os modelos. Até pelas características das soluções, com grande potencial de crescimento dos modelos de pneus. “As pavimenta­doras de pneus possuem maior veloci­dade de transporte e baixo custo de ma­nutenção, deixam menos marcas sobre o solo, têm maior facilidade de mano­bra em espaços apertados e oferecem maior conforto ao operador durante o deslocamento de transporte, entre ou­tros quesitos”, salienta Rosa.

Análise da largura, espessura e tipo de material aplicado definem a melhor escolha


TENDÊNCIA

Na somatória dos fatores, Bezerra, da Bomag, avalia que a tendência em optar por um modelo de pneus será cada vez maior. “A velocidade de deslocamento e a manobrabilidade são pontos cruciais para a escolha desse equipamento”, diz ele. “Contudo, é necessário realizar uma análise completa do contexto, inclusive com o auxílio de especialistas, para que seja possível entender as demandas de aplicação e então chegar ao modelo mais adequado.”

Além da questão do deslocamento, as pavimentadoras de rodas geral­mente são mais acessíveis no preço e, ainda, mais fáceis de se manter. Como já destacado, apresentam ainda van­tagens na recuperação de estradas ou áreas urbanas nas quais os operado­res precisam movimentar a máquina rapidamente de um local para outro, em uma curta distância

As marcas no asfalto, por sua vez, podem ser minimizadas pela técnica, especialmente pela qualidade da apli­cação e domínio do operador sobre o equipamento. Mas para garantir uma aplicação adequada, a prerrogativa básica é conhecer o funcionamento do modelo de vibroacabadora e seus princípios de operação, indepen­dentemente da quantidade de eixos.

“Neste sentido, a ação mais efetiva quando o objetivo for minimizar as marcas no asfalto é, novamente e em primeiro lugar, a escolha adequada do equipamento para a aplicação, de acordo com a recomendação de um especialista”, reforça Bezerra. “Após essa definição, é imprescindível que o time de operação esteja adaptado e detenha os conhecimentos técnicos necessários para explorar o equipa­mento da melhor forma.”

Com alta durabilidade, modelos de esteiras possuem raio de giro sobre o próprio eixo


CUSTO X BENEFÍCIO

Para se atingir um balanço ideal numa relação de custo x benefício vantajosa, é necessário analisar a aplicação específica de cada modelo. No mercado brasileiro, Bezerra relata que é possível observar – e com bas­tante frequência – vibroacabadoras de pneus aplicando base e modelos de esteiras trabalhando em obras urbanas, em uma inversão do reco­mendado. “Vale destacar que aplicar o modelo de acordo com suas carac­terísticas atende ao menor custo e otimiza o benefício”, diz ele.

Partindo do princípio de que o custo com manutenção de vibroa­cabadoras sobre pneus é invaria­velmente mais baixo, é possível raciocinar da seguinte forma: se o trabalho previsto no projeto con­templa as dimensões de uma pavi­mentadora de pneus sem restrições e sem mudanças de projeto, os be­nefícios serão maiores em utilizá­-la. “Mas se o trabalho previsto no projeto possui níveis de exigências em larga escala, maior faixa de lar­guras, espessuras e tipos de mate­rial diversificado, a vibroacabadora sobre esteiras terá um menor custo, pois irá atender às exigências sem forçar a máquina a uma utilização severa, trazendo garantia de quali­dade e menos desgaste como bene­fícios”, pontua Rosa, da Ciber.

A consultora de marketing de pro­dutos de pavimentação da Cater­pillar, Mariana Mochizuki, concorda que os custos de aquisição e ope­ração de pavimentadoras de rodas são geralmente mais baixos, espe­cialmente em relação aos modelos de esteiras de aço, que requerem mais manutenção, ajustes e peças de desgaste. “As pavimentadoras com sistema Mobil-Trac têm custos de manutenção mais baixos, uma vez que não há necessidade de se tensionar as esteiras de borracha, não há sapatas para serem substi­tuídas e as esteiras têm garantia de 48 meses”, descreve.

No final das contas, tudo depen­de da utilização. Se o empreiteiro trabalha tanto em novas estradas quanto em projetos de manutenção, pode ser mais indicado contar com uma máquina mais versátil para maximizar a utilização e reduzir os custos por hora.

SOLUÇÕES DISPONÍVEIS NO PAÍS PROMETEM GANHOS DE EFICIÊNCIA

Com tradição em pavimentação, o Brasil conta com soluções de ponta no segmento de vibroacabadoras. O modelo AF 4500, por exemplo, é um dos destaques da Ciber para o mercado nacional. De acordo com a fabricante, a máquina possui dimensões reduzidas, que facilitam o deslocamento para serviços de pavimentação em centros urbanos, prome¬tendo “ganhos de eficiência”.

No aspecto técnico, a AF 4500 traz pneus compactos com capacidade de produção de até 300 t/h, eixos duplos com largura de pavimentação máxima de 4,2 m, painel de controle com sistema de diagnóstico inteligente e sistema de pré-compactação por placas vibratórias. “Por meio de sistemas inovadores, as vibroacabadoras incorporam tecnologia e praticidade operacional com automação inteligente”, destaca Adriano da Rosa, especialista de produto e aplicação da Ciber.

A Bomag, por sua vez, fornece ao mercado interno e latino-americano as vibroacabadoras da série VDA Max, fabricadas no Brasil. A linha assegura boa visibilidade de trabalho, contando com assento deslizante, além de transmissão hidrostática acionada por motores e redutores acoplados à roda motriz, o que garante maior suavidade na pavimentação. “Esse equipa¬mento é ideal para pavimentação em subidas e aplicação de camadas granulares de base”, arremata Edson Bezerra, gerente de vendas da Bomag Marini Latin America.

Mercado latino-americano conta com tecnologias de automação inteligente como o modelo AF 4500 conta com tecnologias de automação inteligente como o modelo AF 4500

Fonte: Revista M&T – Mercado e Tecnologia – Edição 252 – 04/2021