Sinimail nº 10 – 02/06/2026
SINICESP promove debate sobre pacto nacional e
modernização da infraestrutura brasileira
Em evento realizado na sede do SINICESP, em São Paulo, representantes de entidades nacionais da infraestrutura, construção pesada e engenharia defenderam a criação de uma ampla agenda nacional de investimentos em logística e transportes durante encontro promovido para discutir os desafios da infraestrutura brasileira e a necessidade de modernização da malha rodoviária federal.
O encontro, destinado às empresas associadas ao SINICESP, reuniu dirigentes da Associação Nacional de Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR) e do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada e Infraestrutura (SINICON).
Entre os principais temas apresentados estiveram o lançamento do “Pacto Brasil pela Infraestrutura”, a proposta de um programa de R$ 300 bilhões para modernização das rodovias federais e a criação de uma estratégia nacional de advocacy para inserir o tema da infraestrutura no centro do debate político e eleitoral.
Na abertura do encontro, realizado no dia 26 de maio, o presidente da Associação Nacional de Obras Rodoviárias e de Infraestrutura de Transportes (ANEOR), Danniel Zveiter, destacou a importância da atuação conjunta das entidades representativas para fortalecer o setor e enfrentar desafios comuns relacionados ao ambiente de negócios, à execução de obras públicas e à ampliação dos investimentos em infraestrutura.
Ele enfatizou a necessidade de construção de uma agenda unificada para o setor, defendendo que as entidades representativas levem aos órgãos públicos um discurso convergente sobre os principais problemas enfrentados pelas empresas. “As dificuldades enfrentadas pelas empresas são semelhantes, seja no âmbito federal ou nos entes subnacionais. Precisamos atuar de forma coordenada para defender soluções estruturantes para o setor”, afirmou.
Segundo Zveiter, além da defesa institucional dos interesses das empresas, as entidades possuem papel relevante na preservação do patrimônio produtivo gerado pelo segmento de infraestrutura, que inclui equipamentos, tecnologia, geração de empregos e desenvolvimento econômico. Atualmente, a ANEOR reúne mais de 130 empresas associadas e representa um setor responsável por centenas de milhares de empregos diretos e indiretos em todo o país.

Déficit estrutural e necessidade de ampliar investimentos
Durante a abertura das apresentações, o diretor de Comunicação e Marketing do SINICON, Marcelo Gentil, em participação on-line, destacou que o Brasil vive um cenário de forte deficiência estrutural em infraestrutura, comprometendo a competitividade econômica e elevando o chamado “Custo Brasil”.
Segundo ele, o diagnóstico foi consolidado no estudo “Raio X da Infraestrutura Brasileira”, elaborado pela Firjan em parceria com o SINICON, aponta investimentos insuficientes para atender às necessidades do país.
Atualmente, o Brasil investe cerca de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, percentual considerado abaixo do necessário para garantir crescimento sustentável.
“O equilíbrio fiscal é importante, mas ele não pode ser o único projeto de país. Precisamos voltar a discutir crescimento, desenvolvimento e justiça social”, afirmou Gentil.
O dirigente apresentou o “Pacto Brasil pela Infraestrutura”, movimento formado por 11 entidades nacionais do setor, entre elas ANEOR, SINICON, CBIC, BRASINFRA, ABDIB e SINAENCO.
O pacto propõe elevar progressivamente os investimentos em infraestrutura para cerca de 4,5% do PIB e ampliar o estoque nacional de infraestrutura dos atuais 35% para aproximadamente 60% do PIB até 2045.
Entre as prioridades do movimento estão investimentos em rodovias, ferrovias, portos, saneamento, energia, mobilidade urbana e infraestrutura digital.
Marcelo Gentil também chamou atenção para a necessidade de fortalecer o investimento público federal, argumentando que os recursos privados, apesar de representarem cerca de 84% dos investimentos recentes no setor, ainda são insuficientes para atender às demandas nacionais.
Outro ponto destacado foi a escassez de mão de obra especializada. Segundo ele, aproximadamente 90% das empresas de construção pesada relatam dificuldades para contratação de profissionais, enquanto o déficit de engenheiros no país já ultrapassa 75 mil profissionais.
Programa prevê R$ 300 bilhões para rodovias federais
O diretor de Relações Institucionais da ANEOR, Hideraldo Caron, apresentou, de forma on-line o Programa Nacional de Ampliação e Modernização da Malha Rodoviária Federal, considerado um dos principais eixos estruturantes defendidos pelas entidades.
A proposta prevê investimentos de R$ 300 bilhões ao longo de dez anos, com média anual de R$ 30 bilhões destinados à recuperação, ampliação e construção de rodovias federais.
Segundo Caron, o Brasil continuará dependente do transporte rodoviário nas próximas décadas, já que os investimentos previstos em modais ferroviário e aquaviário ainda são insuficientes para alterar significativamente a matriz logística nacional.
“O país continuará utilizando majoritariamente as rodovias para o escoamento da produção. Precisamos modernizar e ampliar nossa malha para garantir eficiência logística e segurança”, afirmou.
O programa prevê a restauração de 32 mil quilômetros de rodovias, duplicação de 24 mil quilômetros e construção de, aproximadamente, 5 mil quilômetros de novas estradas, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Norte.
Caron destacou que importantes corredores logísticos brasileiros ainda possuem trechos sem pavimentação, incluindo rodovias como BR-101, BR-153, BR-158 e BR-163.
Ele também criticou o atual modelo de concessões rodoviárias, afirmando que os contratos vigentes não serão suficientes para resolver os gargalos logísticos nacionais.
Segundo o dirigente, cerca de 70% do transporte de cargas e 95% do transporte de passageiros no Brasil dependem das rodovias, enquanto aproximadamente 89% da malha federal ainda é composta por pistas simples.
Para Caron, essa condição contribui diretamente para acidentes, aumento do custo logístico, atrasos no transporte e maior emissão de CO₂.
A proposta da ANEOR inclui, ainda, modernização dos acessos portuários, eliminação de gargalos urbanos e reformulação do modelo de contratação de obras públicas, considerado inadequado para grandes empreendimentos de infraestrutura.
Com base em metodologia do Banco Mundial, estudos apresentados pela entidade indicam que os R$ 300 bilhões previstos no programa poderiam gerar retorno econômico estimado em R$ 800 bilhões para o país.
Estratégia política busca transformar infraestrutura em prioridade eleitoral
A diretora de Estratégia e Soluções de Advocacy da Frente Consultoria, Andréa Oliveira, apresentou a campanha “Compromisso InfraRodovias”, criada para ampliar o apoio político ao programa rodoviário defendido pela ANEOR.

A proposta utiliza estratégias de advocacy institucional para aproximar o setor de candidatos e futuros tomadores de decisão ainda durante o período eleitoral.
Segundo Andréa, o objetivo é transformar a infraestrutura em tema central do debate político nacional e garantir que o programa rodoviário seja incorporado às futuras agendas de governo.
“O período eleitoral é justamente o momento em que as agendas políticas são construídas. Precisamos utilizar esse espaço como oportunidade para consolidar compromissos com a infraestrutura”, afirmou.
A campanha prevê a elaboração de uma “Carta Compromisso”, documento que será apresentado a candidatos a governador, senador, deputado federal e deputado estadual para formalização pública de apoio às propostas do setor.
Além da articulação política, a iniciativa prevê criação de plataforma digital para adesão de candidatos, entidades empresariais e integrantes da sociedade civil, bem como de uma estratégia integrada de comunicação para ampliar a visibilidade pública do movimento.
Andréa destacou ainda que a campanha pretende construir uma rede permanente de apoio institucional à infraestrutura nacional, envolvendo sindicatos, associações regionais, empresas e representantes políticos.
“O setor precisa atuar de forma coordenada e construir convergência em torno de uma agenda estruturante para o desenvolvimento do país”, afirmou.
Apoio institucional e defesa do planejamento de longo prazo
Ao final do encontro, representantes do setor manifestaram apoio às iniciativas apresentadas e defenderam maior prioridade para investimentos em infraestrutura dentro do orçamento público.
Os participantes também ressaltaram a necessidade de recuperar a capacidade de planejamento de longo prazo do Estado brasileiro e ampliar a previsibilidade dos investimentos em logística e transportes.
Para as entidades envolvidas, a modernização da infraestrutura nacional é condição essencial para aumentar a competitividade da economia, reduzir custos logísticos, ampliar a segurança viária e estimular geração de empregos e desenvolvimento regional.


